Medidas no combate ao surto de diarréia

Medidas no combate ao surto de diarréia

Dados apurados pelo serviço de Vigilância Epidemiológica de Chapecó apontam que houve aumento de 153% nos casos de diarréia em apenas 21 dias. Medidas orientativas visam conter e controlar a situação, com participação efetiva da população. A Secretaria de Saúde de Chapecó e administração dos nosocômios Hospital Regional do Oeste (HRO) e Hospital da Criança (HC) alertam a população para que sejam observadas atitudes básicas na prevenção e combate a viroses sazonais deste período na saída do inverno.

Devido a um surto de causa desconhecida, o qual vem resultando em diarréia e vômito acometendo principalmente crianças, em apenas 21 dias houve aumento de 153% de casos apresentando tais sintomas. Os dados são do serviço de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Chapecó. Dados apurados junto aos pronto socorros do HRO e HC, apontam que já foram atendidas, medicados e liberados no mesmo período, 523 pacientes com sintomas similares de virose causando diarréia e vômito.

De acordo com o médico da saúde da família, Luiz Vargas, “devem ser observadas nas crianças com diarréia se há presença de sangue, pus ou muco tipo clara de ovo. Também observar se a criança está se alimentando normalmente e ingerindo líquidos”, alerta. Ele ainda chama atenção para o fato de que é possível nos casos de diarréia não agudas, essas sem as características observadas, tratar a criança em casa. “Prepara-se um copo de água com aproximadamente 200 ml, adicionar uma colherinha (a de chá) com sal, e duas colherinhas de açúcar, diluir bem e ingerir após os episódios de diarréia ou vômito”.

O Doutor Luiz lembra que deve ser ingerido esse soro caseiro moderadamente conforme há aceitação da ingesta. O mesmo procedimento cabe também aos adultos. “Normalmente entre 24 e 48 horas a tendência é a redução e controle da diarréia e vômitos. Quando ultrapassar três dias e o quadro piorar com surgimento de febre alta, não ingestão de alimentos ou líquidos, deve ser procurada uma unidade de saúde próxima de sua casa. Lá equipe de profissionais irão efetuar o atendimento e avaliação do caso, que se necessário será encaminhado primeiramente a um pronto atendimento, ou ao pronto socorro de um dos hospitais”. O médico alerta que somente deve ser procurado um pronto socorro de hospital quando há casos graves. Ele exemplifica: “casos virais como esse que estamos vivendo, devem ser procurados postos de saúde, bem como aqueles de dores nas costas ou demais queixas de menor gravidade. Já casos que apresentem situações de acidentes, derrame cerebral, infartos e outros dessa ordem, deve ser procurado então pronto socorro de um hospital”.

Diante do quadro, a orientação é para que somente casos com gravidade sejam levados aos hospitais. Medidas simples, porém eficazes devem ser tomadas pela população para controle de surgimento de novos casos:

Resumo de medidas básicas

• Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de ir ao banheiro, antes de se alimentar ou de preparar alimentos, e na troca de fraldas de bebês.
• Não tocar superfícies ou objetos infectados com vômitos ou fezes de pessoas doentes, evite levar a mão à própria boca quando em contato com pessoas doentes.
• Mantenha limpos e desinfetados os sanitários, após o uso por pessoas com diarréia.
• Pessoas não devem retornar ao trabalho, ou às atividades escolares até sua plena recuperação.
• Os alimentos, principalmente frutas, legumes e verduras devem ser bem lavados.
• Procure consumira água mineral, água filtrada ou fervida.

Relação completa de medidas preventivas

1) Boas práticas de higiene das mãos.

a. Lavar as mãos freqüentemente com água e sabão, especialmente depois de ir ao banheiro, antes de se alimentar ou de preparar alimentos, e na troca de fraldas de bebês.
b. Não tocar superfícies ou objetos infectados com vômitos ou fezes de pacientes com gastrenterites virais; evite levar a mão à própria boca quando em contato com pessoas doentes.
c. Recomenda-se o uso de álcool gel para desinfetar as mãos após a lavagem com água e sabão.

2) Desinfetar superfícies contaminadas.

a. Lavar e desinfetar superfícies que tenham sido contaminadas com vômitos ou fezes de pessoas doentes, usando água e sabão e desinfecção com água sanitária (1.000 ppm, diluição 1:50). Nas superfícies duras e não porosas pode-se utilizar cloro acima de 5.000ppm, diluição 1:10. Use produtos aprovados pela vigilância sanitária e confira as instruções do fabricante. Na dúvida consulte a vigilância sanitária de sua cidade.
b. Mantenha limpos e desinfetados os sanitários, e especialmente após o uso por pessoas com diarréia. Utilizar água e sabão e água sanitária para desinfecção.

3) Outros cuidados pessoais.

a. Pessoas com diarréia não devem não devem retornar à escola ou trabalho até 24-72 horas após a cessação dos sintomas e quando recuperados, devem lavar freqüentemente as mãos conforme orientado no item 1.
b. Pessoas com diarréia e até a plena recuperação não devem preparar alimentos que serão consumidos por outras pessoas, pois pode haver contaminação dos mesmos com transmissão da doença para pessoas que os consumirem.
c. Crianças e adultos com diarréia e até a plena recuperação não devem freqüentar piscinas, pois, podem inadvertidamente (por defecação ou vômitos) contaminar essas águas e propagar a doença para outras pessoas. Recomenda-se a todos que freqüentam piscinas e águas de recreação que tomem banho prévio em chuveiro ou banho de “assento” em bidês, após a evacuação, para evitar a contaminação das águas de recreação.

4) Medidas gerais de higiene aplicadas às doenças transmitidas por água e alimentos.

a. Medidas gerais para prevenção de doenças de origem alimentar ajudam a evitar gastrenterites por norovírus. Cuidados com frutas e verduras: devem ser bem lavadas e desinfetadas com hipoclorito a 2,5%.
b. Cuidado com ostras e frutos do mar, ingeridos crus ou mal cozidos, e de origem desconhecida. Alimentos bem cozidos e devidamente aquecidos é uma boa medida para se evitar diarréia devido a qualquer enteropatógeno.
c. Em locais com suspeita de problemas ou acidentes no sistema de água, ferver a água a ser consumida é uma boa alternativa até a solução definitiva. A água deve ser fervida por 5 a 10 minutos após o levantamento das bolhas (ebulição), e após, esfriá-la, despejando-a em garrafas de preferência de vidro, já devidamente desinfetadas; em seguida colocar as garrafas na geladeira, pois com a refrigeração perde-se o gosto de “água fervida”.
d. Cuidado com água mineral falsa e de fontes e marcas clandestinas, com o gelo, “raspadinhas”, “sacolés”, sorvetes não industrializados, sucos e outros produtos de origem desconhecida.

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